Numa época marcada pela violêcia e pelo consequente temor que as pessoas sentem, as paredes e grades que são construídas demarcando as propriedades são cada vez maiores, robustas e muitas vezes agressivas, não apenas no ponto de vistafísico mas também estético. 0 que acontece com bastante frequência é que, por causa desses cercados, nos sentimos como que oprimidos, quase que esmagados pelo peso de imensos tapumes de alvenaria que são levantados para marcar não só os limites da nossa propriedade mas também quase sempre a fronteiras de nossa vontade de enxergara paisagem Precisamos encontrar saídas para que, pelo menos do ponto de vista paisagístico, possamos minimizar o peso das paredes que de uma maneira cinzenta invadem o espaço urbano repercutindo de forma nem sempre agradável em nossos ânimos.
Acontece que arquitetura não é uma maquete isolada para ser contemplada fora de um contexto de paisagem, a realidade urbana tem outras implicações que se não levadas em conta pelos arquitetos e pelos paisagistas, acabam por desenhar um panorama fragmentado com elos, que deveriam ser de ligação, e não rompidos e sem identidade. A solução deste problema é tratar os limites que circundam a construção como parte do projeto, ou seja, usar critérios análogos, similares a aqueles que estão sendo empregados para levantar o edifício ou a residência.
0 ideal é integrar sempre ao projeto, uma equipe multidisciplinar, que reúna pessoas atentas a todos os detalhes da futura construção, lembrando sempre que nós não moramos apenas em ambientes do tipo sala e quarto, mas que vivemos e respiramos o clima de uma cidade, que precisa também ser bonita como um todo, porque ela está aí; merece de nossa contemplação.
Enfim, o que me parece importante, é que devemos transformar os limites que circundam a propriedade em elementos integrantes do jardim, tirando a ideia de que são meros estorvos que frustram a realização de um bom projeto paisagístico. É importante que nos sintamos bem ao sairmos de um ambiente interno, fechado e procuramos um pedacinho de natureza no quintal, no pátio ou no jardim e, faz parte deste sentimento, a sensação de liberdade, de desafogamento, de estar solto física e psiquicamente para desfrutar de um pouco de sol. Por isso que insisto que os cercamentos devem ser plasticamente leves e cálidos em termos de aconchego. Se não você vai estar convivendo, mesmo sem querer, com o próprio muro das lamentações bem no meio do seu jardim.
Nascido na Argentina, paisagista há mais de 40 anos. Desde 1970 no Brasil, seu escritório contabiliza mais de 2000 projetos. Conhecido pelos seus programas na rádio Eldorado AM, atualmente escreve na revista Arquitetura e Construção, ministra cursos na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano em São Paulo, entre outras atividades.
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